3 de julho de 2014

Controle de gastos será uma das medidas de governo de Aécio

Fonte: O Globo


Aécio defende controle de gastos em seu programa de governo

Metas de Economia são divididas em 15 temas; arrecadação prevista é de até R$ 200 milhões

O candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), se reúne nesta quinta-feira no Rio de Janeiro com sua equipe de marketing e de programa de governo para divulgar as diretrizes do programa que será encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o registro da chapa. Junto com as diretrizes, será apresentado um teto de gastos de até R$ 200 milhões nos primeiro e (eventual) segundo turnos da campanha. É um valor ligeiramente superior aos R$ 180 milhões apresentados como meta pelo também tucano José Serra em sua campanha à Presidência quatro anos atrás.

Sistematizado pelo ex-governador mineiro Antônio Anastasia, o documento com as diretrizes do programa de governo de Aécio terá 50 páginas divididas em oito capítulos temáticos. O capítulo da Economia terá cerca de 15 temas com medidas mais específicas, lastreadas por uma diretriz central que é a retomada dos pilares macroeconômicos — meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário — e controle de gastos. Essas propostas foram elaboradas pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, junto com outros economistas.

Os oito capítulos temáticos se dividem entre economia, cultura, políticas sociais, segurança pública, políticas para juventude, educação, saúde, meio ambiente e sustentabilidade. Aécio disse que as diretrizes não apresentarão muitos detalhes dos programas que serão implementados. Mas já adiantou que pretende manter e aprimorar programas sociais bem sucedidos da gestão petista como o Bolsa Família, Pronatec e Prouni. Ele também vai abrir o portal do PSDB para receber propostas da sociedade.

REDISCUSSÃO DA MAIORIDADE PENAL
 
Aécio pretende enfrentar temas como corte de ministérios, enxugamento da máquina pública e até mesmo a rediscussão da maioridade penal. Com forte apelo popular diante da escalada da violência, mas com resistência principalmente no PT, Anastasia costura uma proposta intermediária sobre maioridade penal, que permite a um juiz, diante da gravidade do crime e em casos de reincidência, adotar penas mais rígidas aos menores de 18 anos. Embora a proposta atenda ao clamor da sociedade pelo fim da impunidade a crimes hediondos praticados por menores, não agrada parte do Congresso e especialistas.

O eixo do programa é a construção de um novo pacto federativo que sustente uma orientação firme de Aécio para as políticas sociais e de combate à pobreza. O programa dará grande relevância ao Bolsa Família, mas integrado com outros critérios de combate a pobreza envolvendo políticas de saúde, educação, segurança e habitação, seguindo diagnósticos e o mapa de carências e renda da Pnud. Aécio, se eleito, quer aproveitar o período de lua de mel com o Congresso para aprovar, já nos primeiros cinco meses, a reforma tributária para buscar um reequilíbrio de contas entre União, estados e municípios.
— Hoje há uma situação caótica. Os empresários estão insatisfeitos, os contribuintes estão insatisfeitos e os governos e até União também — diz.

PMDB capixaba apoia Aécio Neves

Fonte: Valor Econômico


Aécio volta a juntar forças políticas que ajudaram a eleger FHC O balanço das convenções partidárias feito pelo PSDB já contabiliza o apoio do PMDB ao candidato Aécio Neves em cinco Estados. O último a aderir à campanha tucana foi o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung. Há outros três Estados em que o PMDB, partido oficialmente coligado ao PT, está junto com o PSDB e o DEM, mas o palanque é considerado “aberto” e nele cabem tanto aliados de Aécio como os da presidente Dilma Rousseff.

Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, esta é a primeira vez que um candidato do PSDB a presidente consegue reunir um arco de apoio tão amplo. Em 1994, FHC se elegeu numa coligação com o PFL e o PTB; quatro anos mais tarde somaram-se à chapa da reeleição o PMDB e o PPB. Em mais de um ano de trabalho, Aécio conseguiu costurar suas diferenças com o PSDB de São Paulo e unir um partido que desde 2002 se apresenta dividido nas eleições presidenciais. Também atraiu seu parceiro mais tradicional, o Democratas, junto com a maioria do PSD – siglas originárias do antigo PFL.

Na reta final da campanha, Aécio rachou o PMDB. O candidato do PSDB também terá o apoios no PP, como o da senadora Ana Amélia, candidata bem situada nas pesquisas ao governo do Rio Grande do Sul, do PSC (Sergipe) e até do PCdoB, o mais tradicional aliado do PT nas eleições presidenciais, numa aliança de ocasião no Maranhão. PSDB, DEM e PMDB estão juntos com Aécio no Rio, Bahia, Espírito Santo, Ceará e Piauí. No Pará, Goiás e no Rio Grande do Norte compõem “palanques abertos”.

De longe, a impressão que as alianças em torno de Aécio passa é a de uma reaglutinação das forças de oposição à direita. De perto fica evidente que se trata de uma articulação que nada tem de ideologia. No futuro, essas forças podem até servir de embrião para um partido de centro que não o PSDB, mas no momento o que elas têm em comum não é o antipetismo (muitos estavam no ‘Volta, Lula’), mas a reação à mudança da tática eleitoral do PT.

Até a eleição presidencial de 2010, o PT sempre deu prioridade à disputa do poder federal. Na eleição de 2014, o objetivo evidente do partido é fincar raízes também nos maiores colégios eleitorais. Se a tática der certo, reduzirá significativamente o espaço das outras siglas, especialmente da maior delas, o PMDB.

“Rompeu-se o acordo tácito em que o PT ficava com o poder federal e o resto recebia apoio para ficar com prefeituras, Estados e deputados”, diz o filósofo Marcos Nobre. “Ter candidatos competitivos em grandes Estados significa também fazer bancadas maiores, melhorar a posição do PT no Senado”. A formação de grandes bancadas pode dar ao PT, nas eleições de 2014, por exemplo, o comando do Congresso, hoje controlado pelo PMDB, que detém as presidências do Senado e da Câmara.

Para conseguir reunir esse arco de apoio político, Aécio, inicialmente, teve de atrair as diversas facções do PSDB. Nas últimas eleições presidenciais, desde 2002, sobretudo nas duas candidaturas do ex-governador de São Paulo José Serra, o candidato do principal partido da oposição sequer conseguiu alinhar as próprias fileiras. Exemplo sugestivo é o da eleição de 2002, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra foi ungido candidato após uma feroz disputa interna com o então presidente do PSDB, Tasso Jereissati, mas logo foi abandonado pelo governo e pelo partido. Em todas as suas instâncias. O próprio Tasso declarou apoio à candidatura de seu conterrâneo e hoje adversário político Ciro Gomes, que em 2002 concorreu à Presidência pelo PPS.

Atualmente, Tasso é favorito na disputa por uma cadeira no Senado, segundo as pesquisas. Mas hesitou até o último minuto em ser candidato. O ex-senador tem um histórico cardíaco que recomenda cuidados com a saúde e uma bem sucedida carreira empresarial a ser preservada. Só virou candidato devido a um apelo pessoal de Aécio. Com ele na chapa, a candidatura do senador Eunício Oliveira (PMDB) ao governo do Ceará ganha mais musculatura – e com ela a campanha tucana, que tem como um dos objetivos dividir as forças de Dilma no Nordeste.

Quem acompanhou a campanha eleitoral de 2010 registrou que o senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM, não pediu votos na propaganda partidária para José Serra, muito embora o partido tivesse entrado com o candidato a vice-presidente na chapa do PSDB. Hoje, Agripino não só está cem por cento engajado na candidatura de Aécio Neves, como é o coordenador geral da campanha.

O senador atribuiu parte do mérito pelos apoios conquistados ao fato Aécio ter começado a trabalhar cedo. “Ele conversa comigo há mais de um anho”, diz. E ao jeito mineiro do candidato de fazer política. “É onde entra o mérito dele, Aécio é simpaticão, é muito transado, ele foi construindo relação”, diz. “Com Ana Amélia foi no Senado. Dava pra ir discutindo, acomodando, ajustando”. Foi também no Senado que Aécio construiu amizade com Aloysio Nunes Ferreira, cuja escolha para vice na chapa é decisiva para a convivência do candidato com o PSDB de São Paulo.

Graças a essas conversas foi possível juntar no mesmo palanque, no Rio de Janeiro, o PMDB e o ex-prefeito Cesar Maia, o que antes parecia inconcebível. O apoio do PSB ao PT apenas precipitou a aliança, “encheu um copo que já estava quase cheio” pelo apoio de Lula à candidatura de Lindbergh Farias (PT) e pela indefinição ou estímulo de Dilma a outros candidatos. “Essas coisas foram se somando e ele administrando com maestria isso”.

Em 2002 o PMDB também tinha uma aliança nacional com Serra. A dissidência pemedebista, que depois se alastrou por várias seções do partido, começou à época justamente pelo Rio de Janeiro e pelo mesmo Jorge Picciani que agora patrocina a chapa “Aezão” – a aglutinação dos nomes de Aécio com o de Luiz Fernando Pezão, candidato do PMDB ao governo do Estado.
Na Bahia, PSDB, DEM e PMDB estão juntos na candidatura de Aécio, algo também inimaginável pelo menos até o segundo turno da eleição para prefeito de Salvador, em de 2012, vencida por ACM Neto. A própria candidatura do empresário Paulo Skaf ao governo de São Paulo, apresentada pelo PMDB como simpática à presidente, encerra uma reação ao expansionismo do PT.

“Na linguagem corrente, o PT ‘quer todo o poder’, quer ‘hegemonia’, não quer ‘dividir’. Claro que é difícil saber se uma tática como essa irá funcionar”, diz Nobre. Segundo o filósofo, o aumento da bancada do PT na Câmara e uma diminuição da bancada do PMDB faria com que “houvesse um partido com cerca de 90 deputados e uma série de partidos médios (PMDB, PSDB, PP, PSD etc), o que representaria enorme vantagem para o PT“. 

Pesquisa Datafolha revela que Aécio tem menor diferença para o 2 turno

Fonte: Datafolha


Aécio Neves está forte no Sul e Sudeste

A presidente Dilma Rousseff (PT) recuperou pontos na corrida presidencial ao longo de junho – mês de realização da maior parte da Copa do Mundo – e, se a eleição fosse hoje, teria 38% das intenções de voto, índice que mostra avanço na comparação com pesquisa realizada na primeira semana de junho (quando 34% optavam pela petista) e estabilidade quando comparado aos resultados obtidos no início de maio (37%) e abril (38%). A preferência por seu nome neste momento, no entanto, ainda é inferior à obtida no início de fevereiro (44%), no primeiro levantamento realizado pelo Instituto Datafolha em 2014.

O adversário mais próximo de Dilma, Aécio Neves (PSDB), ficou estável entre junho e julho, oscilando de 19% para 20%. Em maio, o tucano também era apontado por 20%. Ele é seguido por Eduardo Campos (PSB), cujas intenções de voto haviam caído de 11% para 7% entre maio e junho e agora também mostram recuperação, alcançando 9%.

A candidatura do pastor Everaldo Pereira (PSC) segue estável, com 4%, e em seguida aparecem José Maria (PSTU), com 2%, e Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Mauro Iasi (PCB), com 1% cada. As intenções de voto em Eymael (PSDC) e Levy Fidelix (PRTB não alcançaram 1%. A intenção de votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos apresentados recuou de 17% em junho para 13% em julho, o menor índice em 2014. A fatia dos que não opinaram teve oscilação negativa no mesmo período, de 13% para 11%.

A recuperação de Dilma mostrada pelo levantamento atual se deu justamente nos estratos em que ela havia perdido terreno entre maio e junho. Entre as mulheres, por exemplo, a petista ganhou cinco pontos e passou de 33% para 38% entre junho e julho, voltando ao patamar de maio (37%). No grupo de eleitores que tem de 35 a 44 anos, a intenção de voto na petista passou de 34% em junho para 40% em julho, também em nível similar a maio (39%). Na região Nordeste, a preferência por Dilma alcançou 55%, sete pontos acima de junho (48%) e similar a maio (54%).

A análise pelos segmentos de escolaridade mostra um crescimento da petista de 41% em junho para 47% em julho entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental. Neste caso, o retorno dos votos acontece após três meses de baixa, já que em maio ela tinha 42%, e só agora volta para o nível de abril (47%). Situação parecida ocorre no segmento dos eleitores que tem de 45 a 59 anos, no qual Dilma tinha 42% das intenções de voto em fevereiro, caiu para 36% em abril, oscilou para 34% em maio, foi a 33% em junho, e agora atinge 40%.

O principal adversário de Dilma no momento, Aécio Neves, continua angariando apoio entre os mais escolarizados e atualmente é o preferido de 36% deste segmento, alta de 7 pontos percentuais na comparação com junho (29%). A presidente tem a intenção de voto de 25% deste grupo.
Entre os favoráveis à realização da Copa, Dilma tem um índice acima da média de intenções de voto (45%), e empata com Aécio entre os contrários ao evento (25% para cada um deles).

Na pesquisa espontânea, sem a apresentação de nenhum nome aos eleitores, Dilma Rousseff alcançou seu maior índice de intenção de voto (25%) desde o início de junho de 2013 (27%), antes do início dos protestos e manifestações que começaram em São Paulo e se estenderam por todo o país. Desde o início de seu governo, a maior taxa de indicações de voto espontâneas à petista foi registrada em março de 2013 (35%). Na comparação com junho deste ano, Dilma registrou avanço de 6 pontos percentuais (tinha 19%).

O segundo colocado atualmente é Aécio Neves, citado por 9% (ante 7% no mês anterior), e em seguida aparecem Eduardo Campos (3%, mesmo índice de junho), Lula (2%) e Marina Silva (1%). Metade (48%) não soube indicar espontaneamente nenhum nome (no levantamento anterior, 55%), e 9% disseram votar em branco ou nulo.

Nas duas situações de segundo turno consultadas pelo Datafolha, Dilma lidera, com ligeiras mudanças na comparação com o levantamento anterior. Contra Aécio Neves, Dilma tem 46% das intenções de voto, ante 39% do tucano. No mês passado, esses índices eram de 46% e 38%, respectivamente. Neste caso, 10% votariam em branco ou anulariam, e 5% não opinaram. Quando o adversário é o ex-governador de Pernambuco, Dilma tem 48% das intenções de voto (em junho, 47%), ante 35% de Campos (ante 32% em junho). Votariam em branco ou nulo, nessa disputa, 12%, e 6% não souberam responder.

Líder nas intenções de voto, Dilma também aparece à frente quando se trata da rejeição aos postulantes à presidência. Três em cada dez brasileiros (32%) não votariam de jeito nenhum na petista. O segundo mais rejeitado é o pastor Everaldo (18%), em patamar similar ao registrado por Aécio Neves, em quem 16% não votariam de jeito nenhum. Eymael, Levy Fidelix e José Maria são rejeitados por 15%. Com 12% aparecem Mauro Iasi, Eduardo Campos, e Luciana Genro, e com 11%, Eduardo Jorge.

Uma fatia de 9% votaria em qualquer um deles, 5% rejeitam todos, e 13% não souberam responder.
A taxa de rejeição a Dilma é mais alta entre os mais jovens (42%), entre aqueles com ensino superior (51%), na região Sudeste (40%) e entre aqueles contrários à Copa do Mundo no Brasil (47%). No caso de Aécio, destaca-se a rejeição fica acima da média no Nordeste (25%).

Devido à oficialização de candidaturas e a entrada de novos nomes na lista apresentado pelo Datafolha para medir o grau de rejeição, não é possível comparar os resultados obtidos neste levantamento, para o indicador de rejeição, com os anteriores.

De forma geral, a petista também é a mais conhecida entre os principais candidatos: 99% declaram conhecê-la, ante 81% quando o nome apresentado é o de Aécio (avanço de 3 pontos na comparação com junho, quanto tinha 78%) e 64% no caso de Campos (ante 59% em junho).

Três em cada cinco brasileiros (73%) declaram ter interesse pelas eleições presidenciais deste ano, sendo que 33% têm grande interesse. Os demais se dividem entre aqueles com médio interesse (30%) ou pequeno interesse (10%). Entre os homens, 38% têm grande interesse, ante 29% entre as mulheres. No eleitorado mais jovem, 26% têm grande interesse, índice que cresce conforme o avanço na faixa etária e atinge 38% entre os mais velhos. Na parcela dos eleitores com curso superior, metade (51%) tem grande interesse na eleição presidencial, ante 29% na parcela dos que estudaram até o ensino médio e 31% entre os que têm escolaridade fundamental. O maior grau de desinteresse é registrado justamente entre aqueles que declaram voto em branco ou nulo (57%, ante 26% na média do eleitorado).

Questionados sobre a obrigatoriedade do voto, a maioria (54%) afirma que não iria votar nas próximas eleições caso não fosse obrigado, e 44% iriam votar. Em maio, esses índices eram de 57% e 42%, respectivamente. No levantamento de julho, 1% não opinou sobre o tema. A opinião sobre a obrigatoriedade do voto também é favorável para os que defendem o voto facultativo: seis em cada dez eleitores (59%) são contra o voto obrigatório, 36% são a favor, e 3%, indiferentes. Em maio, esses índices eram de 61%, 34% e 4%, respectivamente. Uma fatia de 1% não opinou sobre o tema no levantamento mais recente.

2 de julho de 2014

Região Nordeste é palco do início de campanha de Aécio Neves

Fonte: O Globo


Aécio vai começar campanha com viagens pelo Nordeste

Candidato do PSDB à Presidência vai visitar até três estados por dia e levar um novo plano de desenvolvimento para a região

Fechadas as convenções, a chapa nacional e as coligações estaduais, o candidato do PSDB a presidência, senador Aécio Neves (MG), não quer perder tempo e já tem estruturados os primeiros passos da campanha de rua: vai começar simbolicamente pelo Nordeste. Ele vai liderar uma caravana pelas cidades polos, visitando até três estados por dia, para apresentar um plano de infraestrutura e, segundo a campanha, a retomada do desenvolvimento para a região. Na quinta-feira, Aécio fará a primeira reunião do comando da campanha para definir a parte de comunicação e diretrizes do programa, que deve ser entregue junto com o registro da chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até sábado.

A atenção especial ao Nordeste, onde Aécio é pouco conhecido, é um contraponto ao perfil paulista da chapa, que tem como vice o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). A proposta da campanha tucana é ter uma coordenação logística em cada estado, para levantar os gargalos da infraestrutura. No plano de governo do tucano consta o término de obras inacabadas, como a transposição do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina. O candidato pretende levar a experiência de irrigação de uma grande área do nordeste mineiro, o Projeto Jaíba, considerado de sucesso pela gestão tucana, para o Nordeste.

PROGRAMAS SOCIAIS SERÃO MANTIDOS
 
A chapa de Aécio Neves na região têm o intuito de diminuir o temor de que a possível eleição do tucano acabe com projetos sociais, como o Bolsa Família. Em reunião com aliados, realizada nesta terça-feira em Brasília, Aécio alinhou sua estratégia com colegas do partido:
— Vamos ter um capítulo muito claro para o Nordeste. A gente vai mostrar que dá para fazer, como começa e como termina uma obra para realmente atender a população. Se a gente ganhar, quando passarem dois anos, a população vai ver como esse governo é ruim, como é medíocre — disse o presidenciável.

Com a definição da candidatura do ex-ministro José Serra ao Senado, Aécio fechou a articulação política e já definiu o mote para a campanha paulista: “Aécio, Geraldo, Aloysio e Serra: para o bem de São Paulo e do Brasil”. Caso Serra seja eleito, a intenção é levá-lo para algum ministério e deixar o deputado José Aníbal, suplente no cargo, como senador. Ainda em São Paulo, a estratégia de campanha será demonstrar que o governo Alckmin, “ético, eficiente e de melhores indicadores sociais”, será fortalecido com a parceria do governo federal.

O comando tucano avalia que a disputa em São Paulo será polarizada com o PMDB de Paulo Skaf. — São Paulo merece uma campanha quase exclusiva, com uma estrutura de comunicação específica e coordenadores regionais integrando, por baixo, 400 prefeitos, inclusive do PMDB e outros partidos. Agora, o Geraldo (Alckmin) vai ter o que lhe faltou até agora. Quem vai ficar contra um casamento que reúne Aécio na presidência, Serra no Senado, Aloysio na vice-presidência e Geraldo no governo de São Paulo? — disse o presidenciável em conversa com integrantes do comando da campanha.

FOCO NOS ‘PROBLEMAS NA ECONOMIA’
 
Nas diretrizes programáticas que serão apresentadas, a situação econômica terá destaque. Os economistas que integram a equipe do programa de governo têm dito a Aécio que o quadro “vem se agravando muito nos últimos meses” e o comportamento de “leniência” do governo pode levar a um “quadro preocupante” para quem quer que ocupe o Planalto a partir de janeiro.

— A impressão que dá é que entregaram os pontos, não estão tomando as medidas que precisam ser tomadas, não se preocupam com as consequências para daqui a pouco. Se ficarem mais quatro anos, o que ainda não está em risco, pode vir a estar, risco democrático mesmo — avaliou Aécio. O candidato tucano informou que vai investir na comunicação, principalmente rebatendo ‘ataques’ pela área jurídica. Aécio afirma que, pessoalmente, não vai “guerrear” nas redes, mas se defender das “picaretagens”.

— O PT já me deu o tom da minha campanha. Eles vão ficar com as ameaças, a tática do medo e da mentira. Meu mote será a esperança, o futuro, propostas, vou falar para a frente. Não quero ganhar a presidência do Brasil para brigar e dividir — concluiu o candidato.
Fonte: Valor Econômico


Para Aécio, chapa paulista casa com campanha presidencial

Com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) como candidato a vice-presidente em sua chapa e a definição do ex-governador José Serra como concorrente ao Senado, Aécio Neves considera completo o “casamento” entre a sua campanha presidencial e a do governador Geraldo Alckmin, que disputa a reeleição em São Paulo.

O acordo dos tucanos em São Paulo foi feito com a perspectiva de que Serra será eleito senador, por seu potencial de voto, e seria nomeado ministro em eventual governo Aécio. Isso dará oportunidade para que seu primeiro suplente, o deputado José Aníbal – que pleiteava a vaga – o substitua no mandato.
Para Aécio, a construção política feita com Alckmin e Serra proporciona a “melhor largada” para sua campanha no Estado, maior colégio eleitoral do país e onde a estratégia eleitoral é considerada por Aécio “um capítulo especialíssimo” em sua campanha. Ele quer “ter a cara” nos mais de 600 municípios do Estado.

No Estado em que pretende montar uma campanha “quase exclusiva”, a estratégia do tucano será tentar convencer o eleitor paulista de que o governo Alckmin tem de continuar porque é “sério, eficiente e correto” e “fará muito mais a partir de 2015, pois contará com a parceria do governo federal, que falta a ele na gestão do PT“. Integrantes da equipe de campanha dizem que o “mote” da campanha em São Paulo será “Aécio, Aloysio, Alckmin e Serra para o bem de São Paulo”.

Os tucanos já contam com a polarização de Alckmin com o candidato do PMDB ao governo, Paulo Skaf, que deverá se transformar no representante de Dilma e sua base, diante do fraco desempenho do petista Alexandre Padilha.

Apesar da dedicação especial a São Paulo, é pelo Nordeste que o presidenciável do PSDB pretende iniciar formalmente sua campanha, no início de agosto. Ele planeja cumprir um “périplo” pelos nove Estados da região, durante dois dias, onde apresentará um planejamento para o Nordeste, com projetos do seu governo para solucionar gargalos de infraestrutura e obras que pretende executar, com a definição de prazos de conclusão.

Sem revelar quais serão as novas prioridades de uma eventual gestão tucana para o Nordeste, interlocutores de Aécio dizem que constará do planejamento a conclusão de grandes obras inacabadas naquela região, como a Transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina, obra de 1,7 mil km lançada em 2006 para ser o principal escoador da produção da região.

Segundo diz o senador mineiro, não há maior desperdício de recursos públicos do que deixar uma obra inacabada. Aécio pretende divulgar as ações desenvolvidas por ele em seus dois mandatos como governador de Minas Gerais na região norte do Estado, como o projeto de irrigação Jaíba e obras de saneamento.

Numa ofensiva para combater a pecha dos tucanos de serem contrários ao Programa Bolsa Família, Aécio quer que o “exército de aliados” de sua candidatura divulguem que ele é autor de um projeto de lei que o inclui na Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), tornando-o uma política de Estado – e não de governo.

Ele costuma dizer que será a oportunidade para mostrar os programas desenvolvidos por sua gestão em Minas para reduzir as desigualdades entre os municípios do Estado, que possui áreas de muitos contrastes.

O presidenciável tucano tem dito que o PT deu o tom de sua campanha, ao lançar uma propaganda com o objetivo de tentar difundir na população o medo da perda dos benefícios conquistados, caso o PSDB vença as eleições presidenciais. A orientação dele para os aliados é não aceitar provocação e fazer uma campanha propositiva, sem falar em medo e rancor. A depender da orientação de Aécio, a internet não será utilizada para “guerrear”.

Os detalhes da campanha começaram a ser discutidos com Aloysio Nunes e com o coordenador nacional da campanha, senador José Agripino (RN), nos últimos dois dias, em Brasília. Até sexta-feira, suas diretrizes de governo deverão ser apresentadas à Justiça Eleitoral e na segunda-feira passará o dia em reunião com sua equipe de campanha, para discutir principalmente estratégia de comunicação. Aécio vai se licenciar do mandato de senador no primeiro dia após o recesso parlamentar. Seu suplente é Elmiro Nascimento, do DEM. Já seu parceiro de chapa, Aloysio Nunes, pretende se manter no Senado durante a campanha.

Preocupado com o discurso que apresentará sobre a economia do país, Aécio pretende fazer, nos próximos dias, uma análise detalhada da situação, para ele “muito grave e que vem se deteriorando muito rapidamente”. Pretende construir uma argumentação para denunciar medidas tomadas pelo governo Dilma Rousseff consideradas irresponsáveis pelo PSDB.

Aécio discursa sobre os 20 anos do Plano Real

Fonte: Jogo do Poder


Pronunciamento senador Aécio Neves

Senado Federal – 01/07/14

20 anos do Plano Real

Numa manhã, exatamente, no dia 1º de julho de 1994, portanto, há exatos 20 anos, começava, a circular, no Brasil, a primeira cédula de Real, uma transformação absolutamente estruturante na vida de todos os brasileiros. O maior, sem dúvida alguma, o maior programa de distribuição de renda da nossa contemporaneidade, porque ela privou do perverso imposto inflacionário dezenas de milhões de brasileiros que conviviam aquele tempo – e fico apenas no período, pré-posse do presidente Fernando Henrique – de 916% ao ano. Esse era o índice do IPCA quando o presidente Fernando Henrique assumiu a Presidência da República.

Oito anos se passaram, a inflação veio ano a ano sendo reduzida, a credibilidade do País sendo recuperada e outras reformas estruturantes sendo efetivadas: as privatizações de setores como o de telecomunicações, como a da Embraer, como a da siderurgia, essenciais à busca da modernidade ou da inclusão do Brasil nas cadeias globais mundo afora, e depois a Lei de Responsabilidade Fiscal, outro marco absolutamente fundamental à administração pública brasileira.

Todas essas medidas, feitas com o esforço do governo do PSDB, com o extraordinário apoio da sociedade brasileira, não foram conquistas fáceis, porque nós encontramos ali, em todas elas, a oposição ferrenha do Partido dos Trabalhadores, seja em relação ao Plano Real, seja em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal, recorrendo, inclusive – vejam vocês – ao Supremo Tribunal Federal, para buscar inviabilizá-la.

A história está escrita. Ninguém vai reescrevê-la. Nós podemos consultá-la e interpretá-la. Mas o fato concreto é que a mais importante reforma estruturante ocorrida no Brasil nos anos recentes foi exatamente o Plano Real, o reencontro do Brasil com a estabilidade.

Isso foi possível porque nós vivíamos em um regime democrático e faço aqui um registro, até por oportuno, sobre a responsabilidade que teve, em um instante ainda de incertezas da vida nacional, o presidente que assume a Presidência da República na ausência do presidente Tancredo Neves. V. Exa, presidente Sarney – fica aqui este registro – foi o condutor do Brasil rumo à consolidação das suas instituições democráticas e à convivência com as liberdades, sobretudo a liberdade de imprensa, hoje – ainda que veladamente – ameaçada.

Venho a esta tribuna para fazer este registro, porque foi com a coragem e competência daqueles que governavam o Brasil naquele instante que o Brasil criou as condições para implementar outras importantes reformas.

O tempo passou, a vida caminhou, outras conquistas nós obtivemos, e não tenho o mau costume de alguns dos nossos adversários de considerar aqueles que estão no outro campo político como inimigos a serem batidos a qualquer custo. O Brasil de hoje é certamente um Brasil muito melhor do que o Brasil de décadas atrás, foi uma construção de vários governos sob a responsabilidade de diferentes partidos políticos.

A grande realidade de hoje, e é a razão que me traz a esta tribuna, é que, infelizmente, uma agenda que julgávamos ultrapassada e superada, a agenda da estabilidade da moeda e da credibilidade do País, fundamentais à retomada do crescimento em bases mais sólidas, volta a ser a agenda do nosso cotidiano.
Novamente, a inflação volta a atormentar a vida dos brasileiros, sempre rondando o teto da meta, mesmo com preços controlados nas áreas de energia, de combustíveis e de transportes públicos.

O que faltou ao Brasil nesses últimos anos foi coragem política para implementar as reformas necessárias para que o país não sofresse hoje o constrangimento e nós, brasileiros, as consequências, de sermos o País que menos cresce na nossa região. Na verdade, o quadro é de estagflação – estagnação do crescimento da economia, 0,2% de crescimento no primeiro trimestre deste ano, com inflação recorrente.

Mais do que nunca os brasileiros terão oportunidade, dentro de exatos três meses, de escolher que caminho querem seguir. Ou a recuperação da capacidade de implementar reformas esquecidas e abandonadas ao longo desta última década, para que o Brasil possa efetivamente reencontrar o caminho do crescimento e, a partir da daí, da melhoria de seus indicadores sociais, ou simplesmente a manutenção dessa perversa maquiagem fiscal e, a partir dela, a desorganização do Estado brasileiro como jamais visto no aparelhamento da máquina pública em toda nossa história.

Fica, portanto, aqui um registro de cumprimento àqueles que tiveram a coragem política lá atrás de acreditar naquele plano econômico. E aqui a minha homenagem àquele que exatamente desta tribuna que falo hoje nos fez companhia por muitos anos num período mais remoto, mas por seis meses em um período mais recente, o então presidente Itamar Franco.

Ocupava ele exatamente este microfone, por isso fiz questão de, deste microfone, fazer a homenagem a todos os brasileiros que nos ajudaram a construir essa extraordinária transição do país da hiperinflação, do país sem credibilidade, do país atormentado por inseguranças no seu cotidiano, para um país estável, que passou a poder programar o seu futuro.

Hoje, infelizmente, os desafios voltam a ser aqueles, em parte, que nós vivemos há cerca de 20 anos. O que posso assegurar aos brasileiros que aqui estão é que, no nosso campo político, assim como não faltou lá atrás, não faltará agora coragem e competência para recolocar o Brasil no rumo que querem os brasileiros.

Eu quero e tenho esse sonho, como cada um de nós tem os seus, de ver, dentro de muito pouco tempo, no Brasil, reconciliada a ética e a eficiência, pressupostos fundamentais para que o Brasil possa se reencontrar definitivamente com cada brasileiro.

Fica, portanto, o registro de cumprimentos ao presidente Itamar Franco, de reconhecimento ao papel histórico do presidente José Sarney e também o meu cumprimento, porque não poderia deixar de ser, ao grande homem público e grande presidente Fernando Henrique Cardoso, timoneiro dessa transição.

Muito obrigado.

Brasília, 1 de julho de 2014.

Aécio cita conquistas com a implementação do Plano Real

Fonte: PSDB



Aécio relembra conquistas do real e destaca riscos para a estabilidade


O presidente nacional do PSDB e candidato do partido à Presidência da República, senador Aécio Neves, afirmou nessa terça-feira (1º) que o Plano Real foi a “mais importante reforma estruturante” da história recente do Brasil. Aécio lembrou os 20 anos do Plano Real no plenário do Senado e a implantação da moda em 1º de julho de 1994, quando as cédulas começaram a circular no país.

O tucano lamentou que as questões que pareciam resolvidas após a implementação do plano, como o controle da inflação e a recuperação da credibilidade do país, tenham voltado à pauta em decorrência dos equívocos cometidos pelo governo federal.

O presidente do PSDB destacou que o Plano Real foi o resultado de uma construção vivida no Brasil desde a redemocratização do país, na década de 1980. “Não tenho o costume de achar que quem está no outro campo político é inimigo”, afirmou Aécio.

O tucano elogiou a participação dos ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney no esforço para a estabilização política e econômica do país, consolidadas com o Plano Real conduzido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião da implantação da nova moeda, FHC era ministro da Fazenda de Itamar Franco.

Momento atual

Ao discursar no plenário, Aécio reiterou sua preocupação com o momento atual. “Uma agenda que julgávamos ultrapassada, da estabilidade e da credibilidade, volta a ser a agenda do nosso cotidiano”, disse ele referindo-se às ameaças às conquistas obtidas a partir da implantação do Plano Real.

Para o senador, uma das maiores falhas cometidas pelas gestões petistas foi a ausência de reformas estruturantes. “Faltou coragem política para se implantar reformas necessárias para que o Brasil não sofresse o constrangimento, e a população, as consequências, de ser o país que menos cresce na região”, afirmou Aécio.

O tucano lamentou ainda o fato de que, nos dias atuais, a inflação do Brasil esteja próxima do teto da meta e citou também a “maquiagem fiscal” existente nas contas públicas.

Para Aécio, o PSDB e os outros partidos que apoiam o projeto nacional tucano estão dispostos a manter a luta pela estabilidade econômica brasileira. “Posso assegurar que no nosso grupo não faltará coragem e competência para colocar o Brasil no rumo que querem os brasileiros”, apontou.

1 de julho de 2014

Pesquisa MDA encomendada pelo jornal EM mostra que Aécio dispara

Fonte: Estado de Minas


Aécio Neves dispara na intenção de votos para presidente em Minas Gerais

Pesquisa MDA/EM Data sobre a intenção de voto dos mineiros para presidente mostra Aécio Neves com 43,8%, contra 31,9% de Dilma. O tucano também venceria numa simulação de segundo turno

Se dependesse somente do votos dos mineiros, o senador Aécio Neves (PSDB) estaria eleito presidente do Brasil pelos próximos quatro anos. A primeira rodada da pesquisa MDA/EM Data, encomendada pelo Estado de Minas, mostra o tucano na dianteira da disputa presidencial, com 43,8% das intenções de voto, seguido da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), com 31,9%. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) aparece na terceira colocação, com 4,3%. Pastor Everaldo (PSC) recebeu a indicação de 1,8% daqueles que responderam ao levantamento. Brancos, nulos e indecisos somam 16,8%. Outros candidatos somaram 1,3%.

A pesquisa registrada sob o número 00188/2014 foi realizada entre 22 e 26 de junho e ouviu 2.002 eleitores. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Na modalidade espontânea – quando não são apresentados os nomes dos candidatos –, o senador Aécio Neves continua na frente, mas com uma vantagem bem menor: o tucano foi apontado por 27,1% dos eleitores, seguido de perto por Dilma Rousseff, citada por 24,7%. Eduardo Campos recebeu a menção de 1,9%. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não é candidato, foi citado por 1,2%. Marina Silva, que compõe a chapa de Eduardo Campos como candidata a vice-presidente, recebeu 0,9% das indicações.

Em uma simulação de segundo turno, Aécio Neves vence nos dois cenários em que aparece. No primeiro deles, contra Dilma Rousseff, o tucano derrota a petista por 49,7% a 35,5%. Brancos, nulos e indecisos somaram 14,8%. Em uma disputa com Eduardo Campos, o tucano venceria com mais folga ainda: 63,7% a 14,4%. Brancos, nulos e indecisos somaram 21,9%. Em um terceiro cenário em que a disputa ficaria com Dilma Rousseff e Eduardo Campos, a petista leva vantagem por 45,3% a 30,9%. Indecisos e aqueles que pretendem votar em brancos ou anular o voto totalizaram 23,7%.

Aprovação

Na avaliação do diretor do MDA/EM Data, Marcelo Costa Souza, a preferência dos mineiros por Aécio Neves é reflexo da boa avaliação do tucano nos pouco mais de sete anos em que governou Minas Gerais – ele deixou o cargo em abril de 2010 para disputar uma cadeira no Senado. “Mas isso não significa uma reprovação a Dilma, até porque o índice dela é semelhante aos números das pesquisas nacionais”, diz o pesquisador.

Um ponto que chama a atenção na pesquisa é o baixo número de indecisos (7,1%) e daqueles que manifestaram a intenção de votar em branco ou nulo (9,7%). Uma explicação apresentada por Marcelo Costa é o fato de ambos serem bem conhecidos no estado: Aécio por ter sido governador por dois mandatos, e Dilma por ser a atual presidente da República. Na disputa para o governo mineiro, acontece o contrário. A edição de ontem do EM mostrou que 45% do eleitorado mineiro ainda não definiu o voto para governador em outubro.

Aécio Neves escala Aloysio na ala paulista do PSDB

Fonte: Folha de S. Paulo


Aécio escolhe vice tucano para engajar ala paulista do PSDB

Senador Aloysio Nunes foi escolhido após fracassarem as tentativas de usar a vaga para atrair outra legenda Tucano teve seu nome citado pelo delator do cartel dos trens, mas Supremo o excluiu das investigações.

Sem muitas opções e visando engajar a ala paulista do PSDB em sua candidatura à Presidência, Aécio Neves confirmou nesta segunda-feira (30) o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) como vice da sua chapa.

Ministro de duas pastas (Justiça e Secretaria-Geral da Presidência) na gestão Fernando Henrique Cardoso e secretário de José Serra na Prefeitura de São Paulo e no governo estadual, Aloysio, 69, foi escolhido depois que Aécio não conseguiu usar a vaga de vice para atrair mais um grande partido à sua aliança. Nas últimas cinco disputas presidenciais, o candidato do PSDB saiu da ala paulista, reflexo do poder do Estado na correlação de forças da sigla. Nem José Serra, nem o governador Geraldo Alckmin nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estavam no evento do anúncio da chapa.

Aécio citou os três. “Serra hoje talvez seja um dos interlocutores mais próximos que eu tenha”, disse. O mineiro também afirmou que pesou na escolha a avaliação de que Aloysio é um homem qualificado “até para presidir o Brasil”. Em 2010, a chapa de Serra ao Planalto foi criticada após a escolha do jovem e até então desconhecido deputado Indio da Costa (DEM) como vice. O mineiro chegou a aventar para a vice o nome de uma mulher, a ex-ministra do STF Ellen Gracie, mas desistiu.

Ao discursar, Aloysio disse que será um vice discreto, focado em São Paulo. À Folha, o senador disse nunca ter sido “serrista”, apesar da proximidade com o ex-governador: “O próprio Serra nunca estimulou o serrismo. Sou admirador e amigo do Serra”. Integrante da luta armada contra a ditadura militar, o que o levou ao exílio na França, Aloysio teve recentemente seu nome citado pelo delator do caso que apura formação de cartel e corrupção no metrô de São Paulo como próximo a um dos suspeitos. O ministro do Supremo Marco Aurélio Mello excluiu o senador das investigações por entender que não há indícios suficientes contra ele. “Não tenho rigorosamente nada a ver com isso”, disse Aloysio.

Em maio, ele chegou a mandar à “puta que te pariu” um blogueiro filiado ao PT que o questionara sobre sua relação com o caso. Nesta segunda-feira, afirmou ter se arrependido da reação. Apesar de Aloysio ter sido eleito senador com mais de dez milhões de votos em 2010, seu apelo eleitoral não foi o ativo que mais pesou na escolha de Aécio para compor sua chapa: ele foi escolhido por sua estreita relação com prefeitos de todo o Estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

Como chefe da Casa Civil de Serra (2007-2010), Aloysio era o principal interlocutor do Palácio dos Bandeirantes com os municípios. Além disso, Aloysio mostrou-se útil também ao aproximar Aécio dos aliados de Serra. Hoje o próprio ex-governador tem relação amistosa com Aécio. Com a definição de Aloysio, a campanha de Dilma Rousseff tentará colar o caso do cartel do metrô de São Paulo na candidatura tucana por meio da CPI da Alstom. Nesta segunda foi anunciado que o presidente do DEM, José Agripino Maia, será o coordenador-geral da campanha tucana.

Ética na vida pública e coerência partidária fizeram de Aloysio Nunes vice-presidente de Aécio

 Fonte: Jogo do Poder

Discursos do candidato à Presidência da República, Aécio Neves, e do vice na chapa Aloysio Nunes


O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, anunciou, nessa segunda-feira (30/06), durante reunião em Brasília, a escolha de Aloysio Nunes como vice na chapa do partido que disputará as eleições deste ano.

A seguir, os principais trechos dos discursos.

AÉCIO NEVES

Estamos hoje reunidos, a Executiva nacional do PSDB, com o respaldo e o apoio de todos os outros sete partidos que nos acompanham nessa caminhada para cumprirmos uma importantíssima etapa na nossa trajetória, na nossa caminhada na busca do reencontro do Brasil consigo mesmo. Com desenvolvimento, com a respeitabilidade e, sobretudo, com avanços sociais.

Hoje tenho a alegria enorme de poder anunciar como meu companheiro de chapa o senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB no Senado Federal. A indicação do senador Aloysio como meu companheiro de chapa é uma homenagem à coerência, matéria-prima essencial à vida pública e lamentavelmente hoje em falta no Brasil. A trajetória exemplar de Aloysio durante toda sua vida, sempre na defesa da democracia, da liberdade, da ética na vida pública, fazem com que a partir de agora nossa caminhada se fortaleça e se fortaleça enormemente.

As razões para a escolha de Aloysio em um momento em que tínhamos tantos outros nomes extremamente qualificados resumiria dizendo que não foram as conveniência da campanha, mas sim os interesses do Brasil que me levaram a essa decisão. Quando se olha uma chapa, é natural, até porque o histórico não muito remoto da vida pública brasileira certamente nos permite esse encontro com a história, sempre que se olha uma composição de chapa olha-se o vice-presidente da República, ou o candidato a vice, como alguém que eventualmente possa assumir a Presidência da República.

Aloysio Nunes não é apenas um homem para ser vice-presidente da República. É um nome que em qualquer eventualidade está absolutamente preparado para presidir o Brasil. A sua qualidade intelectual inegável, a sua postura política irretocável, respeitada inclusive por seus adversários, fizeram com que chegássemos aqui hoje a essa decisão que politicamente me parece acertada e, do ponto de vista pessoal, me alegra muito.

A verdade é que o nosso destino é o futuro. E o nosso desafio é fazermos uma bela travessia com coragem e com responsabilidade para chegarmos a esse futuro. Futuro que almejam todos os brasileiros.

Quero dizer a cada um e a cada um dos companheiros que nos ajudaram nessa caminhada até aqui que esse nosso destino hoje está mais próximo, com a chegada na campanha, agora como candidato à Vice-Presidência da República e homem público integrado, honrado, competente e que honra a boa política brasileira, Aloysio Nunes: bem-vindo a essa belíssima travessia que vamos fazer em busca de um Brasil que seja de todos. Não na propaganda, mas na vida cotidiana de cada brasileiro.

Estou absolutamente honrado, não apenas pela presença de Aloysio na chapa, mas pela forma como ela se dá com essa emoção, com essa determinação. Acho que isso que conseguimos construir entre nós, essa crença de que não é um projeto de um partido político, muito menos de uma coligação, que está em jogo, é um projeto de Brasil.

Cada vez mais estamos encarnando um sentimento amplo na sociedade brasileira que quer, em parte, sim, se reconciliar com a boa política. E a nossa responsabilidade e mostrar que isso é possível. O senador Aloysio soma, e muito, sob todos os aspectos, a essa caminhada, como o senador mais votado da história do Brasil, mas, sobretudo, pelo homem íntegro e honrado que é.

Estou extremamente feliz em termos podido chegar, não eu pessoalmente, o que seria muito fácil, mas o conjunto das forças que nos apoia, de forma unânime e convergente, ao seu nome. A partir de agora vamos caminhar de mãos dadas pelo Brasil pregando o novo, a ética, a responsabilidade e também a eficiência na vida pública.

O anúncio está feito e reitero que fiquei muito feliz de poder ter tido a aceitação também do senador José Agripino para coordenar a nossa campanha, mostrando que não será uma campanha de um partido, será uma campanha de um conjunto de forças políticas.

Desde ontem em São Paulo, com as últimas conversas que tive recebi, quando caminhávamos para essa decisão, dois apoios absolutamente entusiasmados a essa indicação, que se somam a um terceiro, entre tantos que eu já havia recebido há alguns dias. O primeiro deles foi o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que será sempre para nós uma referência não pelo que fez, mas pelo que ainda pode fazer pelo Brasil, e estará ao nosso lado também nessa caminhada para enorme orgulho de todos nós. Ele também achava que essa era a decisão mais adequada.

Recebi duas manifestações de apoio irrestrito à presença do senador Aloysio na chapa, representando o sentimento de todos os demais companheiros do partido. Do ex-governador José Serra, que terá também na nossa campanha um papel muito relevante, e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Todos eles considerando que a presença do senador Aloysio fortalece a nossa chapa nacionalmente, e em especial no estado de São Paulo.

ALOYSIO  NUNES

Quero, em primeiro lugar, ainda bastante emocionado, mesmo depois que o Aécio ter, ontem à noite, depois de ter pedido autorização à minha mulher, Gisele, que aqui está, formalmente me dado a imensa honra deste convite, que eu de pronto aceitei, me preparava para este momento, mas continuo ainda bastante emocionado por este momento da minha vida política.

Me lembro de tantos anos atrás, quando comecei a minha militância política, eu, hoje um homem de 69 anos, olho para um jovem de 18 anos, olha para este jovem que começou a militar quando ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, e pergunto: será que sou eu mesmo? Acho que sou.
Claro que o tempo passou, as experiências se acumularam, alguns sonhos se desfizeram, a alma foi sendo limada pelo tempo, pelas asperezas da vida, mas basicamente, as minhas convicções são as mesmas. Convicção em torno da democracia, da liberdade, do pluralismo e a convicção da luta pela igualdade.
Lembrava agora há pouco ao Aécio que os nossos caminhos se cruzaram efetivamente quando ele foi candidato a líder do PSDB na Câmara dos Deputados. Faz muitos anos isso. E o Aécio me convidou para ser o seu primeiro vice-líder. A história está se repetindo. E fiquei muito feliz. Recebi do Aécio as lições de vida parlamentar que me inspiraram e me inspiram até hoje. Procurei cumprir com zelo e dedicação as determinações, as incumbências, as tarefas políticas da vice-liderança e ser um companheiro do Aécio.
Depois que o Aécio foi eleito presidente da Câmara, teve uma trajetória brilhante que todos nós conhecemos e que o credencia hoje a ser o nosso presidente da República, eu também segui o caminho do Executivo, com a experiência fantástica de ser, como Eduardo Jorge foi e outros companheiros foram, companheiros de Fernando Henrique na Presidência da República. Servi também a este extraordinário político e servidor público que é José Serra, na prefeitura de São Paulo e no governo, e, agora, estou no Senado.

Quero agradecer muito aos meus companheiros senadores a oportunidade que vocês me deram para exercer a liderança da nossa bancada. Agradecer imensamente porque tenho a convicção de que este posto, cuja porta me foi aberta por Álvaro Dias, seguramente me credencia a esta incumbência que recebo hoje das mãos da Executiva Nacional.

O Aécio fez, antes da chegada da imprensa, aqui entre nós, perante este grupo com o qual temos trabalhado, já há algum tempo, desde que o Aécio se tornou presidente do partido, que foi seu colaborador nesse trabalho de organização, de afirmação da unidade no nosso partido, de busca de parcerias, de contatos, de alianças, como nós nunca tivemos… O Aécio fez um resumo das nossas disputas eleitorais nos estados.

O Maquiavel tem uma reputação sulfurosa, mas dizia o seguinte: que o sucesso da política depende de dois fatores, a fortuna e a virtú.

A fortuna são as condições objetivas, condições que em grande medida não dependem de nós. E as condições objetivas que vivemos hoje apontam profundo desejo de mudança do povo brasileiro. Esta é a realidade política marcante. que foi, inclusive, fator de desagregação do bloco que governa o país há tanto tempo. O Brasil quer mudar, quer um governo diferente, quer um novo fôlego, um novo impulso, um novo curso para a nossa vida política. E o Aécio conseguiu encarnar esse desejo, conseguiu encarnar esse desejo.

E aí entra a virtude. A força de vontade, a lucidez, a capacidade, os atributos pessoais que garantiram, em primeiro lugar, uma aliança e o entusiasmo de todas as seções do PSDB, uma grande coligação com os nossos companheiros de outros partidos, o Democratas, o Solidariedade, o PTB, que agora recentemente veio a nos apoiar, o PTC, o PTN, o PMN e o PTdoB.

Fico muito feliz com a indicação desse extraordinário político do Rio Grande do Norte e do Brasil que é o nosso companheiro José Agripino.

Serei um vice muito dedicado, muito leal, muito correto, consciente da preeminência do nosso candidato à Presidência, orgulhoso e feliz por tem alguém do porte, da envergadura, da liderança, do carisma de Aécio Neves como nosso comandante.

Eu quero ser, na vice-Presidência, um representante de todos vocês, porque o que o Aécio conseguiu foi reunir um exército extraordinário de líderes e de militantes políticos. Eu serei um militante político, representando todos nós, participando da campanha nos estados, ajudando onde puder ajudar, tentando livrar o Aécio das canseiras que a candidatura à Presidência sempre acarreta.

Aécio: Discuso de ódio e medo fica aos adversários

Fonte: O Globo
Aécio diz que vai deixar o ‘ódio e o medo’ para campanha dos adversários

‘Queremos um Brasil em que todos sejamos nós’, diz tucano, que chamou de ‘macabra’ a divisão criada por opositores'. O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, prometeu não usar o discurso do ódio ou do medo durante a campanha das eleições deste ano. Em entrevista nessa segunda-feira, quando também oficializou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) como seu vice, Aécio disse que quer ‘olhar para o futuro’.

 - O Aloysio respondeu muito bem à essa divisão quase que macabra entre nós e eles. Queremos um Brasil em que todos sejamos nós. Vamos deixar o ódio e o medo para os nosso adversários. Vamos falar do futuro – disse Aécio. Na mesma linha, Aloysio disse que tem “couro duro”. - Tenho couro duro. O ódio é contraproducente. Mas não sobra ao PT e à presidente Dilma nada de novo, nada de diferente disso – disse Aloysio. O candidato à Presidência disse ainda que a escolha do vice vai fortalecer os palanques, especialmente em São Paulo. Aécio disse ainda que em 90% dos estados o PSDB fez as alianças que queria.

 - A escolha de Aloysio vai fortalecer o palanque no Brasil e, especialmente, em São Paulo. Ele foi escolhido vice porque convergiu (em outros partidos). Aloysio é maior do que o PSDB, do ponto de vista eleitoral e político. O PSDB peca há muito tempo por excesso de quadros qualificados. Não vamos fugir da discussão dos temas que são de responsabilidade dos grandes temas da Presidência da República, como o crescimento do país e a retomada de obras paralisadas.

São Paulo e Minas Gerais equilibram forças ao PSDB

Fonte: O Globo

Análise: Um jeito de equilibrar forças no PSDB

Especialistas afirmam que escolha assegura a unidade de São Paulo e Minas Gerais dentro da legenda

A escolha de Aloysio Nunes como candidato a vice é mais um gesto para dentro do próprio partido do que uma estratégia para dar capilaridade à candidatura tucana, na opinião de especialistas. Para cientistas políticos ouvidos nessa segunda-feira pelo GLOBO, são duas as contribuições de Aloysio para a chapa: assegurar a unidade das duas maiores forças do PSDB (São Paulo e Minas Gerais) nessa disputa eleitoral e dar uma vitória ao senador em São Paulo. — Ele pode garantir para o mineiro Aécio o voto de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. E sua escolha também é importante porque, desde 1989, o candidato tucano à presidência é paulista.

Desta vez não será, e Nunes vem equilibrar isso — disse o cientista político do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj) Felipe Borba. Aloysio vem para chapa para representar o PSDB paulista e em nome da unidade do partido. Essa é a principal razão — diz a professora de Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Maria do Socorro Sousa Braga. Ela diz ainda que a indicação de Aloysio faz um contraponto à imagem que está sendo construída para Aécio.
Aécio tem se esforçado muito para se aproximar do eleitorado mais jovem. O Aloysio representa o outro extremo: o experiente.

O ponto fraco da nomeação, segundo Maria do Socorro, é que ela não vem dar ao presidenciável tucano popularidade no Nordeste. — Não tem entrada em setores populares — avalia a professora.

Aécio Neves: Aloysio foi nomeado porque sempre esteve de mãos dadas com a democracia


Fonte: PSDB

Escolha de Aloysio Nunes para vice foi tomada com base nos interesses do Brasil, diz Aécio Neves em Brasília

Com o respaldo e apoio dos sete partidos que se coligaram formalmente com o PSDB em nível nacional – Democratas, Solidariedade, PTB, PTC, PTN, PMN e PTdoB –, o candidato à Presidência da República, senador Aécio Neves, anunciou nessa segunda-feira (30/06), na sede da Executiva Nacional do PSDB, em Brasília, o senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do partido no Senado, como vice na chapa que se lança ao Palácio do Planalto.

Ao lado de lideranças do PSDB, Aécio afirmou que a escolha foi tomada com base nos interesses do Brasil, sem levar em conta “as conveniências da campanha”.
“A indicação do senador Aloysio como meu companheiro de chapa é uma homenagem à coerência, matéria-prima essencial à vida pública e, lamentavelmente hoje, em falta no Brasil.

A trajetória exemplar de Aloysio durante toda sua vida, sempre na defesa da democracia, da liberdade, da ética na vida pública, faz com que a partir de agora a nossa caminhada se fortaleça enormemente”, disse.
Aécio definiu Aloysio Nunes como um homem público “íntegro, honrado e competente”, que honra a boa política brasileira e que está preparado para assumir o cargo de presidente sempre que necessário.

A verdade é que o nosso destino é o futuro, e nosso desafio é fazermos uma bela travessia com coragem e com responsabilidade para chegarmos a esse futuro, que almejam todos os brasileiros”, ressaltou. “Aloysio Nunes, bem vindo a essa belíssima travessia que vamos fazer em busca de um Brasil que seja de todos. Não na propaganda, mas na vida cotidiana de cada brasileiro”, destacou Aécio Neves.

Emoção
 
Emocionado, o senador Aloysio Nunes agradeceu o apoio unânime do partido à indicação de seu nome como vice na chapa presidencial. Ele relembrou sua história política e reafirmou suas convicções em torno da “democracia, da liberdade e do pluralismo”.
Após o anúncio do nome de Aloysio Nunes, Aécio Neves disse que o coordenador-geral da campanha será o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Aécio confirmou também que Tasso Jereissati vai ser candidato ao Senado pelo PSDB do Ceará. Tasso governou o Ceará em três gestões: de 1987 a 1990; 1995 a 1998 e 1999 a 2002. Foi senador pelo estado de2003 a 2011.

Vida e História – Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)

Aloysio Nunes Ferreira Filho nasceu em São José do Rio Preto, em 5 de abril de 1945. É casado com a jornalista Gisele Sayeg Nunes Ferreira. Tem três filhas.
É formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
Na França, onde esteve exilado por onze anos, bacharelou-se em Economia e obteve o diploma de Estudos Superiores em Ciência Política pela Universidade de Paris.

Militou ativamente contra a ditadura no movimento estudantil. Foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Participou da resistência ao golpe de 1964, foi processado e condenado a três anos de reclusão com suspensão dos direitos políticos por dez anos. Buscou, então, asilo na França, onde permaneceu trabalhando e estudando de 1968 a 1979, na condição de refugiado.

Mesmo no exílio continuou sua militância, denunciando junto a organismos internacionais as violações aos direitos humanos praticados contra os opositores da ditadura brasileira.
Com a anistia, voltou ao Brasil e participou da fundação do PMDB, sob cuja legenda exerceu vários mandatos: dois de deputado estadual, vice-governador e deputado federal. Transferiu-se para o PSDB em 1997, partido pelo qual se elegeu duas vezes deputado federal.

É hoje senador por São Paulo e líder da bancada do PSDB. Nas eleições de 2010 obteve para o Senado a maior votação da história do seu estado: 11.189.158 votos.
Foi secretário estadual de Transportes Metropolitanos, secretário de governo do município de São Paulo, secretário-chefe da Casa Civil do governo do estado de São Paulo, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e ministro da Justiça.

Biografia Aécio Neves: ‘um conciliador na trincheira’

Valor faz uma retrospectiva da vida de Aécio Neves. Desde o tempo da juventude, passando pela convivência com o avô Tancredo.


Eleições 2014




Um conciliador na trincheira


“Nelson Motta serve?” Aécio Neves tinha sido convidado a falar de um livro que o ajudasse a entender a vida. “Vamos para uma coisa mais leve, um livro que lembra minha juventude no Rio, ‘Noites Cariocas’. Ele começa antes de mim, mas relata toda a década de 1970 e 1980. É o Rio no qual vivi.”

O livro, publicado em 2000, é “Noites Tropicais“. Nele, o produtor e crítico musical Nelson Motta, depois de historiar seu envolvimento com música desde a bossa nova, fala dos festivais de rock em Saquarema, onde Aécio costumava pegar onda no fim dos anos 1970, e das primeiras discotecas da década seguinte. A ditadura tinha vencido e virado a página do rock’n’roll e do idealismo hippie. A música agora era feita para dançar em lugares como o Dancin’ Days, na Gávea, que daria nome à novela de Sônia Braga, e o Noites Cariocas, no morro da Urca. É um indiscreto relato em primeira pessoa de um meio artístico movido a “Música Prapular Brasileira” e a drogas.

Aécio serve-se de torrada, ovos mexidos e suco no café da manhã em um hotel nos Jardins, em São Paulo. Sua campanha contratou uma equipe de advogados para denunciar quem dissemina boatos na internet, mas Aécio não se comporta como um atormentado pelo uso que se possa fazer da juventude abastada e festeira. Enfrenta a principal disputa eleitoral de sua vida com o slogan do adversário. Numa reprise do lulismo de 1989, o filme que a campanha tucana colocou em cartaz é o de um político sem medo de ser feliz.

“Na política vence quem mostra mais determinação ou blefa melhor.” A frase é de Tancredo Neves, vitorioso no jogo da transição com o blefe que lhe custou a vida. Ao avô imolado pelo país se sobrepôs a imagem do neto que não sacrificaria a vida pela política. Em 30 anos de carreira, Aécio sobreviveu a rivais como Newton Cardoso e a correligionários do porte de José Serra. Alimentar o repertório em torno do neto de Tancredo virou senha para demonstração de intimidade com o personagem, mas políticos, jornalistas e, mais recentemente, funcionários de campanhas adversárias, nunca produziram prova do que fazem circular na rede.

Relembra a noite anterior, quando foi emparedado no programa “Roda Viva” sobre consumo de drogas. “É do jogo, tem lendas para todos os gostos, não podia imaginar que chegaria aonde cheguei sem carregar várias delas.” Depois de oito anos como governador de Minas, diz que suas relações são as mesmas que tinha antes. “Não convivo com a alta cúpula econômica nem política do país. O que garante minha tranquilidade são a família e os amigos”, diz.

Quando é flagrado à noite Aécio está quase sempre na companhia de amigos de juventude. Um deles, Alexandre Accioly, é sócio da Bodytech, principal rede de academias de ginástica do país, de rádios, restaurantes e boates. Accioly reabriu, com João Paulo Diniz, o Noites Cariocas, que marcou sua juventude e a do amigo candidato.

Depois de listar livros de dois historiadores de presidentes americanos, Gore Vidal e Doris Goodwin, carecia de um para explicar o Brasil. Solta “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Dito assim, parece saído do manual da política mineira, mas o senador mostra apego: “Esse fala de onde viemos e um pouco do que somos”.

Aécio nasceu em Belo Horizonte em 1960. É o filho do meio entre duas irmãs, Andrea e Ângela. Quando nasceu, seu pai, Aécio Ferreira da Cunha, exercia o segundo mandato de deputado estadual e o avô paterno, Tristão Ferreira da Cunha, era deputado federal. Ambos pertenciam ao Partido Republicano, berço de Artur Bernardes e dos mineiros que dominaram a República Velha.

Aos 10 anos, Aécio mudou-se para o Rio com a família. O pai se preparava para o primeiro mandato na Câmara dos Deputados, e o avô encerrava o último. Ao deixar a Câmara, Tristão seria nomeado para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, do qual seria presidente até a aposentadoria, em 1974.

Os dois avós entraram na política como bacharéis liberais, mas nunca militaram nas mesmas fileiras. Tancredo era das minas e Tristão, das gerais. O avô paterno de Aécio era filho de professor e o materno, de comerciante em São João Del Rey, no sul do Estado, de família envolvida em política desde que o comendador português José Antônio das Neves se estabeleceu naquela que era a maior cidade setecentista de Minas. A mineração urbanizou o Estado e, das cidades, nasceriam as confrarias. Foi esse o seu berço político.

Aécio Cunha teve sua primeira eleição para a Câmara dos Deputados, em 1962, financiada pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad). Criado para articular a reação de empresários e profissionais liberais, ao que consideravam uma escalada comunista no país, o Ibad contava com apoio da CIA.

No outro lado, mas não em campos opostos, estava Tancredo. Atraído para as hostes getulistas pela oratória em defesa de um veto presidencial, era o único ministro que estava no Catete na madrugada do dia 24 de agosto, quando Getúlio enfiou uma bala no peito. Voltaria ao centro de mais uma crise institucional na chefia do primeiro gabinete parlamentarista da República, condição dos militares para a posse de João Goulart. Tancredo permaneceria leal a Jango até a porta do avião que o levou a Porto Alegre.

A mãe de AécioMaria Inês, filha mais velha de Tancredo, separou-se de Aécio Cunha e casou-se, em 1978, com Gilberto de Andrade Faria. A família Faria fundara o Banco da Lavoura de Minas Gerais, que daria origem ao Banco Real e ao Banco Bandeirantes, divididos entre os irmãos Aloisio e Gilberto.

É da mãe o único telefonema que a irmã mais velha de Aécio atende num outro café da manhã em São Paulo. Traz notícias da caçula, Ângela, vítima de um acidente vascular no ano passado. O rosto não tem maquiagem, o sapato não tem salto, os óculos não têm aro e Andrea é paciente em explicar que tem menos poder do que se imagina sobre o irmão.

Dois anos mais velha, a irmã é a principal guardiã de sua imagem. A fama de dama de ferro da comunicação mineira foi construída na interlocução de um governo anunciante com chefes mais alinhados que suas redações. Como a internet dificultou o controle, os chefes de redação perderam poder para juízes e advogados especializados em crimes de injúria e difamação.

A relação entre os dois estreitou-se na morte do avô. Aécio sempre fala da política como destino. Andrea é da missão e a dela nasceu no Hospital de Base de Brasília.

Na véspera do dia marcado para a posse que nunca aconteceu, Aécio foi nomeado secretário particular de assuntos especiais da Presidência. Duas semanas depois da morte do avô, foi ao Palácio do Planalto entregar o cargo a José Sarney, que acertou ali sua nomeação, já negociada, para a diretoria de loterias da Caixa Econômica Federal (CEF). No cargo,Aécio começou a costurar sua campanha a deputado federal.

Um ano depois, deixaria a CEF para oficializar sua candidatura à Câmara pelo PMDB. Seria o mais votado de Minas. Naquela eleição, seu pai, Aécio Cunha, candidato, pelo PFL, a vice na chapa majoritária de Itamar Franco, foi derrotado.

Chegou ao Congresso em 1987 e lá permaneceria por mais de dois terços de sua vida pública. Na Constituinte, equilibrou-se entre as teses do Centrão, como o mandato de cinco anos para Sarney, e históricas do seu partido, como a desapropriação de terras pela função social e não pela produtividade.

Aécio Cunha cumpriu seis mandatos de deputado federal. Ao deixar a Câmara, com 60 anos, seria nomeado por Sarney para o Tribunal de Contas da União (TCU). Poucos dias antes de sua posse, em 1987, nota do “Jornal do Brasil” dizia que Aécio votara pelos cinco anos de Sarney em retribuição à indicação do pai. Cunha renunciou e abriu mão de rendimentos vitalícios em decisão que permanece inédita no tribunal. Com a posse de Itamar, seria nomeado presidente do Conselho de Administração do BNDES e, depois, conselheiro de Furnas e da Cemig.

Morreu de insuficiência hepática, em 2010, no dia em que o filho foi eleito senador. Deixou para os filhos uma fazenda em Montezuma, cujas cotas são o segundo item mais valioso do patrimônio de R$ 2,5 milhões declarado por Aécio à Justiça Eleitoral.

O autor da intriga que tirou Aécio Cunha do TCU, Newton Cardoso, também tinha terras em Montezuma e, quando governador na década de 1980, construiu uma pista de pouso na cidade que hoje conta com 7,9 mil habitantes. A pista foi reformada no governo Aécio. Mas a obra que mais causa dor de cabeça ao candidato na campanha é a do aeroporto de Cláudio, cidade natal da família da avó materna de AécioRisoleta Tolentino Neves.

O aeroporto foi construído nas terras desapropriadas de um tio-avô de Aécio que contesta a indenização oferecida pelo governo do Estado. A vocação econômica da região foi a principal explicação da campanha para o investimento na obra de uma pista sem operação comercial, mas nenhuma justificativa foi oferecida à posse das chaves do aeroporto pelo tio-avô do candidato.

O episódio distribuiria os ovos do familismo, antes exclusivamente atirados contra Eduardo Campos, e seria fartamente explorado pela campanha de Dilma, que opôs aeroportos fechados à chave àqueles invadidos pela classe C na gestão petista.

Aécio só ingressaria no PSDB depois da eleição municipal de 1988. O candidato do novo partido à Prefeitura de Belo Horizonte era o deputado federal Pimenta da VeigaAécio ficou no PMDB para viabilizar sua candidatura ao cargo, mas foi barrado pelo governador Newton Cardoso.

A adesão ao PSDB apenas aconteceria em 1989. Pela nova legenda, Aécio conseguiria disputar a Prefeitura de Belo Horizonte, em 1992, ficando em terceiro lugar.

Aécio ainda assistiria à ascensão de mais um tucano no Estado, Eduardo Azeredo, eleito governador em 1994 e, assim como Pimenta da Veiga, enredado no mensalão mineiro 20 anos depois. Com a derrota de Azeredo à reeleição, Aécio assumiria a dianteira do partido em Minas. Dois ranzinzas, nascidos no mesmo ano de 1930, e vítimas, cada um a seu modo, do Plano Real lhe serviriam de esteio: Itamar Franco e Mário Covas.

Aécio conquistara a unidade tucana em torno de sua candidatura para a presidência da Câmara com a defesa do partido na coalizão governista, onde o espaço ocupado pelo PFL era maior do que o atual feudo pemedebista no governo do PT.

Para enfrentar o veterano Inocêncio Oliveira (PFL), atraiu outro pernambucano, Severino Cavalcanti (PP), líder do baixo clero, prometendo verbas de gabinete. Anunciou medidas moralizantes, mas o acordo que lhe possibilitou chegar ao cargo manteria Severino na 1ª secretaria da Mesa.

Em outra frente, conseguiu passar emenda que limitou a reedição de medidas provisórias e estabeleceu prazo para que, se não votadas, caducassem. A medida, saudada como momento de altivez do Legislativo frente ao Executivo, acabaria por ampliar o uso das MPs pelos governos. Aécio arrancou o apoio não apenas do presidente Fernando Henrique, mas também do PT de Luiz Inácio Lula da Silva.

Eram evidentes os sinais de aproximação entre Aécio e o PT. No segundo turno de 2002, quando o mercado financeiro ardia em chamas com a perspectiva da eleição de Lula, Aécio se recusou a endossar o discurso do medo, ao contrário do que faz hoje em relação àpresidente Dilma Rousseff.

Naquele segundo turno, Serra teria em Minas um desempenho aquém de sua média nacional, perdendo de Lula por mais de três milhões de votos no Estado. A relação entre os dois, que nunca foi próxima, azedaria depois daquela eleição e só voltaria a se recompor em 2014 pelo interesse mútuo de que Geraldo Alckmin não seja o tucano de maior sucesso nesta campanha.

A candidatura presidencial de Aécio começou a ganhar contorno na campanha municipal de 2012, quando se desfez a aliança que, em 2008, havia reunido PSDB e PT na Prefeitura de Belo Horizonte. Partiu para unificar seu partido, corroído pelas disputas internas. Como Minas tem menos da metade dos votos de São Paulo, restou a Aécio esperar o PSDB paulista se mostrar inviabilizado para a disputa presidencial. Em 2013, Aécio desloca os paulistas do PSDB, assume a presidência do partido e, a exemplo do PT, centraliza as decisões sobre as alianças estaduais para 2014.

Se os estrategistas de Aécio pudessem se restringir a uma zona de conforto, a campanha seria dominada pelo choque de gestão. O governador tucano recuperaria a capacidade do Estado para se endividar e começaria a escrever em Minas um dos primeiros capítulos do pós-lulismo, quando os dotes dos gestores pareciam se valorizar mais do que a capacidade de fazer política. Essa toada embalou a estampa dos três principais candidatos à Presidência. O que ninguém contava é que uma insatisfação popular exigiria mais política que gerência.

Alvo de resistência dos sindicatos do funcionalismo público, o modelo de Estado implantado por Aécio parte do aumento de receita e redução de despesas. Alcançou-o com o fim de benefícios fixos e a adoção de prêmios de produtividade não incorporados à aposentadoria, além de recrutar novos funcionários sem concurso público.

Minas se encheu de greves, mas suas metas por desempenho pautaram administrações públicas do DEM ao PT, inclusive a de Eduardo Campos, em Pernambuco. No ano em que Aécio deixou o governo, Minas atingiu todas as metas do índice de avaliação da educação básica, o Ideb. Em seus dois mandatos, o número de concluintes do ensino médio estadual cresceu mais do que em qualquer outro estado do Sudeste. Foi o 11º maior avanço do país, o que não impediu o Estado de cair de oitavo para nono lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre 2000 e 2010. Assumiu o governo com a maior taxa de homicídios desde meados da década de 1980 e a devolveu 16% mais baixa oito anos depois.

Nas Minas de Aécio a receita cresceu muito acima da inflação. O Estado é o segundo que, proporcionalmente, mais arrecada ICMS, um imposto que pune quem ganha menos porque baseado no consumo e não na renda. O sindicato dos auditores fiscais comprou uma longa briga com o governo de Minas, batendo na alíquota residencial do ICMS (30%), “a segunda mais alta do país” em contraste com a baixa tributação sobre a atividade mineral.

Ao comando centralizado que marcou as gestões Dilma e EduardoAécio preferiu delegar a gestão. O escolhido foi Antonio Anastasia, considerado por correligionários e adversários como o melhor tecnocrata do PSDB. No segundo mandato, o governo, por delegação, começou a se ressentir da ausência do titular, o que não o impediu de terminar o mandato como o governador mais popular do país.

Seu primeiro arranque em 2014 se deu com as críticas à Petrobras. A gestão de Aécio na companhia energética, Cemig, é a antessala do que seria a Petrobras sob hipotético comando do senador tucano.

Sob Aécio, a estatal se expandiu e não fez política tarifária para minorar o impacto sobre a renda. O governador bateu às portas do Planalto para pedir que o BNDES encampasse a fatia privatizada da estatal. O Estado é minoritário nas ações preferenciais da Cemig, mas mantém-se majoritário sobre as ordinárias, que dão direito a voto. Sob seu comando, a estatal saiu comprando ativos e tem hoje a maior rede de distribuição do continente.

Aécio sempre pareceu menos determinado do que Eduardo em alcançar o poder e menos disposto a sacrifícios para exercê-lo. Mas antes do início oficial da campanha já tinha conseguido desfazer a descrença. Ao encerrar-se o prazo das coligações, conseguiu costurar palanques estaduais que surpreenderam aliados e adversários.

No café da manhã que se seguiu ao “Roda Viva”, já escaldado pela campanha petista, Aécio evitou a armadilha que acusa o tucano de armar arrocho fiscal em 2015. “O que eu disse é que não governaria de olho nos índices de popularidade, agiria com responsabilidade.” Qualquer um que seja o próximo presidente, se for minimamente responsável, terá que fazer ajustes. Aécio espera se valer da tradição que lhe confere a capacidade de tirar as meias sem descalçar os sapatos com os quais entrou na pista da sucessão. Vai, com certeza, precisar deles se pretende atravessar seu mandato indiferente à popularidade que uma eleição presidencial pode vir a lhe conferir.