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2 de maio de 2014

Pronunciamento de Dilma representa desespero de uma presidente fragilizada, diz Aécio

Segundo Aécio, Dilma “fala de um país que não é o nosso, onde a inflação é obra do acaso e não dos desacertos do seu governo.”


Dilma desesperada


Fonte: O Globo

Para Aécio, pronunciamento de Dilma representa desespero do governo


Oposição estuda ir à Justiça sobre pronunciamento de Dilma na TV

Para DEM, presidente falou como candidata o que configura crime eleitoral e abuso de poder

A oposição reagiu e acusou nesta quarta-feira a presidente Dilma Rousseff de uso eleitoral do pronunciamento na TV sobre o Dia do Trabalho. O presidente do PSDB e pré-candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, disse que o pronunciamento “representa o desespero de um governo acossado por sucessivas denúncias de corrupção e uma presidente fragilizada pelo boicote da sua própria base, protagonizando um dos mais patéticos episódios já vistos na política brasileira”.

“É lamentável que a primeira mandatária do país abdique, uma vez mais, da necessária compostura que deveria ter ao utilizar um instrumento de Estado, como a cadeia de rádio e televisão, para fazer campanha política e atacar os adversários.

Segundo Aécio, Dilma “fala de um país que não é o nosso, onde a inflação é obra do acaso e não dos desacertos do seu governo. Da mesma forma, debita a perda de credibilidade da Petrobras à fiscalização e cobranças das oposições e não como resultado da ação daqueles que transformaram a maior empresa brasileira em um balcão de negócios, sob grave suspeição”.

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), disse que vai propor à Executiva do partido que ingresse com representação no Ministério Público Eleitoral e junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a presidente por campanha antecipada.

— Vou propor essa representação por abuso de poder e crime eleitoral. Quem está usando recursos públicos em horário oficial é a candidata Dilma e não a presidente Dilma. O PT privatizou o horário institucional brasileiro — disse Mendonça Filho.

Para o líder do DEM, a atitude de Dilma é consequência de sua queda nas pesquisas de intenção de voto e de avaliação do seu governo.

— Acendeu a luz vermelha no Palácio do Planalto, é desespero total. Reajustar Bolsa Família agora, eles estão atirando para tudo quanto é lado — disse Mendonça Filho.

Na mesma linha, o líder do PSDB na Câmara, deputado Antônio Imbassahy (BA), disse que Dilma adotou um tom eleitoral no programa. Mas, para o tucano, ela já tentou isso em outros programas e não surtiu resultado, com sua queda de popularidade se agravando nos últimos meses.

— Ela está apelando. Mas ela entrou numa faixa de de descrédito (junto à população) — disse o tucano.

O líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), disse que a correção da tabela do Imposto de Renda é um pleito de anos e que, se fosse uma medida pensada, teria sido adotada para valer agora, nesta declaração, o que não ocorreu.

— É uso eleitoral total de algo que já deveria ter sido feito há muito tempo. É uma medida eleitoral, feita de forma tardia, Se fosse de coração mesmo, já teria sido feita — disse Beto Albuquerque.

Aécio diz que Dilma mente sobre reajuste do Bolsa Família

Reajuste na tabela do imposto de renda é um engodo. Aécio disse que Dilma preferiu ficar no Palácio do que explicar volta da inflação.


Políticos do PT são hostilizados


Fonte: Folha de S.Paulo 

Rivais atacam Dilma e criticam aumento dado ao Bolsa Família


Reajuste é insuficiente para cobrir perda com inflação, dizem Aécio e Campos em comemoração de 1º de Maio

Ministros e políticos do PT são hostilizados e vaiados até em evento organizado pela CUT, simpática ao governo

As comemorações do Dia do Trabalho no maior colégio eleitoral do país foram marcadas ontem pela hostilidade do público com os representantes do governo e por ataques de políticos da oposição à presidente Dilma Rousseff.

Os dois principais adversários da petista na corrida eleitoral deste ano protagonizaram o evento da Força Sindical, a segunda maior central do país, na capital paulista.

Recepcionados pelo deputado Paulinho da Força (SDD-SP), principal liderança política da central, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE) fizeram críticas ao reajuste de 10% no Bolsa Família anunciado por Dilma em cadeia nacional de rádio e televisão na quarta-feira.

Em outro evento, organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), que é a maior do país e é alinhada ao PT, latas e garrafas foram arremessadas pelo público quando a presença de ministros foi anunciada no palco.

“A presidente da República, infelizmente, mente aos brasileiros no momento em que diz que o reajuste de 10% no Bolsa Família permite que a remuneração alcance aquele patamar mínimo estabelecido pela ONU [Organização das Nações Unidas], de US$ 1,25 por dia, com uma renda mínima para se estar acima da linha da pobreza”, afirmou Aéciono ato da Força.

“O valor teria que chegar a R$ 83 e não a R$ 77″, disse.

O reajuste no Bolsa Família ainda será detalhado pelo governo. Procurado, o Planalto não comentou a fala de Aécio até a conclusão desta edição.

No pronunciamento na quarta, Dilma atacou a oposição e anunciou outras medidas de interesse dos trabalhadores, como o reajuste da tabela do Imposto de Renda e a promessa de manter a valorização do salário mínimo.

“A presidente foi ontem à televisão falar que quer dialogar com o trabalhador, mas hoje está fechada no palácio. Não veio olhar para vocês e explicar porque a inflação voltou, o crescimento sumiu e a decência anda em falta no atual governo”, disse Aécio.

Em entrevista, Campos disse que a petista “enxuga gelo” ao reajustar o Bolsa Família sem conter a inflação. Ao discursar, afirmou que “o Brasil tomou o caminho errado” e que é preciso “mudar”.

Paulinho da Força fez diversos ataques à presidente. Chegou a pedir, por duas vezes, que o público desse uma “banana” para Dilma. “Vamos erguer o braço! Toma aqui, presidente!” Aécio e Campos ficaram visivelmente constrangidos a seu lado.

No momento mais exaltado, Paulinho disse que Dilma poderia ser presa por causa de irregularidades na Petrobras. “Se fizer tudo o que disse na televisão ontem, quem vai acabar na Papuda é ela”, afirmou, citando o presídio onde os petistas condenados no mensalão cumprem pena.

Quem subiu no palanque para defender o governo foi hostilizado. Principal interlocutor do Planalto junto aos movimentos sociais, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi vaiado.

“Pode vaiar. É parte da democracia“, disse. Ele atacou Aécio, a quem classificou como uma nova versão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). “Eles governaram o país sob um arrocho salarial enorme.”

No evento da CUT, a hostilidade do público impediu o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o ministro do Trabalho, Manoel Dias, e o das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, de falar. Berzoini, vaiado ao ser anunciado, quando interrompeu um dos shows da festa, tentou falar e não conseguiu.

Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, tentou outra abordagem. “Quem aqui é contra o racismo? Quem aqui acha que somos todos iguais?” Falou das diferenças salariais entre homens e mulheres e deixou o local antes que as vaias recomeçassem.

O senador Eduardo Suplicy (SP) foi o único petista aplaudido. O presidente da CUT, Vagner Freitas, defendeu o governo e afirmou que a oposição representa o “retrocesso”. “Temos que reconhecer os avanços que conquistamos nos últimos 12 anos”, disse. “Ainda há muito a ser feito, mas não podemos esquecer das vitórias.”