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3 de julho de 2014

Aécio fica forte no Sul e Sudeste

Fonte: O Estado de São Paulo


Aécio consegue unidade e se fortalece no sul e sudeste

Encerradas as convenções partidárias, que não apresentaram surpresas do lado do PT, tem-se um quadro de resgate da unidade partidária do PSDB, que esteve ameaçada na fase de negociações no principal colégio eleitoral, São Paulo.

O senador Aécio Neves logrou conquistar o que talvez fosse sua principal meta, um arco de alianças que fortalece sua candidatura no plano nacional nas regiões sul e sudeste, reeditando a parceria Minas/São Paulo, os dois maiores colégios eleitorais e explorando eficientemente a dissidência peemedebista no Rio de Janeiro.

No Paraná e Santa Catarina, eleitorados com histórico antipetista, o PSDB também alimenta legítima expectativa de vitória e, no Rio Grande do Sul, a aliança com o PP da senadora Ana Amélia se vale do desgaste do governo Tarso Genro, do PT, sustentando o favoritismo da candidatura.

No nordeste, a situação é mais difícil, principalmente pela escolha de um vice da região ter sido sacrificada em favor de uma estratégia nacional mais eficiente para a campanha. Mesmo assim, vale-se da dissidência governista na Bahia, importante colégio eleitoral em que a presidente Dilma não deve obter o mesmo resultado da última eleição.

No Ceará, a união com o PMDB, que pode devolver o empresário Tasso Jereissati ao Senado, numa chapa com o senador Eunício de Oliveira para o governo, a situação parece bem mais favorável que antes, ao tempo em que o senador governista ainda alimentava esperanças de um acordo com o governador Cid Gomes, do Pros.

Mas é em São Paulo que o resultado final fez justiça à forma mineira de se fazer política. Aécio conseguiu transitar entre os interesses que separaram o governador Geraldo Alckmin, por algum tempo, das metas desejáveis ao PSDB nos planos estadual e nacional, conciliando no limite possível as diferenças com potencial divisionista.

A perda do PSD, com a ida do ex-prefeito Gilberto Kassab para a candidatura do PMDB, guarda uma relação custo/benefício, apesar de inviabilizar o cenário ideal, que reuniria todos os atores identificados com um eleitorado antipetista.

Sem Kassab, que fora convidado por Alckmin para compor sua chapa como vice, foi possível equacionar da melhor forma a participação do ex-governador José Serra no processo, abrindo espaço para sua candidatura ao Senado, como queria e à altura de sua dimensão política, histórica e eleitoral.
O efeito no cenário estadual também é positivo. Alckmin selou sua aliança com o PSB, pacificou a aliança e a relação com o seu partido, e se beneficia da identificação da candidatura de Paulo Skaf como a tábua de salvação do PT, cujo candidato, Alexandre Padilha, permanece nos 3% nas pesquisas.

Skaf e Alckmin correm na mesma faixa do eleitorado paulista, aquela que as pesquisas mostram refratária ao PT e que reflete com maior nitidez o eleitor de resultados, menos sensível ao discurso ideológico, principalmente o da esquerda clássica, que se mostra defasado também em outros pontos do país.

Alckmin tem o dobro das intenções de voto de Skaf e pesará na decisão do eleitorado de ambos, a preferência petista pelo presidente da Fiesp, mantida a dificuldade de decolagem do ex-ministro da Saúde, afetado pelo escândalo em seu ministério envolvendo o doleiro Alberto Youssef e seu laboratório de fachada.

Kassab, por sua vez, encontrou nesse desfecho a porta de saída para evitar o confronto com Serra, com o qual justificara sua adesão ao PMDB. Disputará o Senado por ter obtido a garantia de que não teria no ex-governador um concorrente, dado que este até teve sua inscrição para candidato à Câmara homologada na convenção.

Desse modo, quem produziu o conflito foi Serra, o que retira de Kassab qualquer constrangimento que, até então, o obrigava a mudar da calçada em que Serra estivesse. O ex-prefeito, no entanto, reduziu suas chances de vitória, pois concorrerá contra dois pesos eleitorais históricos de São Paulo: o ex-aliado e o senador Eduardo Suplicy, do PT, candidato à reeleição.

Há outros aspectos que somam na escolha do senador Aloysio Nunes para a chapa tucana à presidência. Seu trânsito entre a maioria dos prefeitos do Estado, sua origem serrista, de inegável poder pacificador, seu prestígio eleitoral atestado pela sua última votação – a maior de um senador, com 12 milhões de votos.

Sua biografia de esquerda, com passagem pela luta armada, na mesma organização clandestina que a presidente Dilma Rousseff, é a que menos importa ao eleitor. Tem, no entanto, o poder de neutralizar o discurso ideológico conveniente ao PT, que rotula todos os adversários como conservadores.

Essa manipulação, que visa ao monopólio do pensamento progressista, tem sua fragilidade exposta nas alianças com perfis que compõem a história da direita no país, como os ex-presidentes José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (PTB), além daqueles identificados pela trajetória de mãos dadas com a corrupção, simbolizados na figura do ex-deputado Valdemar da Costa Neto (PR), hoje cumprindo pena por condenação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A escolha de Ferreira também evidencia a opção pela soma política que resistiu a tentações marqueteiras como a de um nome feminino apenas pelo gênero, sem critério outro, ou a da escolha de um nordestino com o poder mágico de multiplicar a votação do candidato numa região em que não é conhecido.

Para esse último objetivo, aliança não precisa necessariamente passar pela inserção na chapa do líder regional. Basta que ele esteja na aliança e que milite pelo candidato. É o que deve ocorrer com o senador José Agripino, por exemplo, no Rio Grande do Norte.

Aécio fecha essa etapa do processo eleitoral no mesmo cenário em que a presidente Dilma Rousseff sofre baixas claramente determinadas pela percepção política de ex-aliados do aumento de seu risco eleitoral. PTB e PP, um no plano nacional outro no paulista, deram adeus à aliança sem a menor cerimônia, o seguindo inclusive justificando com a perda de perspectiva de ampliar sua bancada na Câmara.

O PSD manteve o compromisso na aliança nacional e, agora, também em São Paulo, ao aderir ao PMDB. Mas, na vida real, o partido está com Aécio, à revelia do seu presidente, Gilberto Kassab, em estados-chave para a eleição, como Minas, Rio, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Piauí.

2 de julho de 2014

Fonte: Valor Econômico


Para Aécio, chapa paulista casa com campanha presidencial

Com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) como candidato a vice-presidente em sua chapa e a definição do ex-governador José Serra como concorrente ao Senado, Aécio Neves considera completo o “casamento” entre a sua campanha presidencial e a do governador Geraldo Alckmin, que disputa a reeleição em São Paulo.

O acordo dos tucanos em São Paulo foi feito com a perspectiva de que Serra será eleito senador, por seu potencial de voto, e seria nomeado ministro em eventual governo Aécio. Isso dará oportunidade para que seu primeiro suplente, o deputado José Aníbal – que pleiteava a vaga – o substitua no mandato.
Para Aécio, a construção política feita com Alckmin e Serra proporciona a “melhor largada” para sua campanha no Estado, maior colégio eleitoral do país e onde a estratégia eleitoral é considerada por Aécio “um capítulo especialíssimo” em sua campanha. Ele quer “ter a cara” nos mais de 600 municípios do Estado.

No Estado em que pretende montar uma campanha “quase exclusiva”, a estratégia do tucano será tentar convencer o eleitor paulista de que o governo Alckmin tem de continuar porque é “sério, eficiente e correto” e “fará muito mais a partir de 2015, pois contará com a parceria do governo federal, que falta a ele na gestão do PT“. Integrantes da equipe de campanha dizem que o “mote” da campanha em São Paulo será “Aécio, Aloysio, Alckmin e Serra para o bem de São Paulo”.

Os tucanos já contam com a polarização de Alckmin com o candidato do PMDB ao governo, Paulo Skaf, que deverá se transformar no representante de Dilma e sua base, diante do fraco desempenho do petista Alexandre Padilha.

Apesar da dedicação especial a São Paulo, é pelo Nordeste que o presidenciável do PSDB pretende iniciar formalmente sua campanha, no início de agosto. Ele planeja cumprir um “périplo” pelos nove Estados da região, durante dois dias, onde apresentará um planejamento para o Nordeste, com projetos do seu governo para solucionar gargalos de infraestrutura e obras que pretende executar, com a definição de prazos de conclusão.

Sem revelar quais serão as novas prioridades de uma eventual gestão tucana para o Nordeste, interlocutores de Aécio dizem que constará do planejamento a conclusão de grandes obras inacabadas naquela região, como a Transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina, obra de 1,7 mil km lançada em 2006 para ser o principal escoador da produção da região.

Segundo diz o senador mineiro, não há maior desperdício de recursos públicos do que deixar uma obra inacabada. Aécio pretende divulgar as ações desenvolvidas por ele em seus dois mandatos como governador de Minas Gerais na região norte do Estado, como o projeto de irrigação Jaíba e obras de saneamento.

Numa ofensiva para combater a pecha dos tucanos de serem contrários ao Programa Bolsa Família, Aécio quer que o “exército de aliados” de sua candidatura divulguem que ele é autor de um projeto de lei que o inclui na Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), tornando-o uma política de Estado – e não de governo.

Ele costuma dizer que será a oportunidade para mostrar os programas desenvolvidos por sua gestão em Minas para reduzir as desigualdades entre os municípios do Estado, que possui áreas de muitos contrastes.

O presidenciável tucano tem dito que o PT deu o tom de sua campanha, ao lançar uma propaganda com o objetivo de tentar difundir na população o medo da perda dos benefícios conquistados, caso o PSDB vença as eleições presidenciais. A orientação dele para os aliados é não aceitar provocação e fazer uma campanha propositiva, sem falar em medo e rancor. A depender da orientação de Aécio, a internet não será utilizada para “guerrear”.

Os detalhes da campanha começaram a ser discutidos com Aloysio Nunes e com o coordenador nacional da campanha, senador José Agripino (RN), nos últimos dois dias, em Brasília. Até sexta-feira, suas diretrizes de governo deverão ser apresentadas à Justiça Eleitoral e na segunda-feira passará o dia em reunião com sua equipe de campanha, para discutir principalmente estratégia de comunicação. Aécio vai se licenciar do mandato de senador no primeiro dia após o recesso parlamentar. Seu suplente é Elmiro Nascimento, do DEM. Já seu parceiro de chapa, Aloysio Nunes, pretende se manter no Senado durante a campanha.

Preocupado com o discurso que apresentará sobre a economia do país, Aécio pretende fazer, nos próximos dias, uma análise detalhada da situação, para ele “muito grave e que vem se deteriorando muito rapidamente”. Pretende construir uma argumentação para denunciar medidas tomadas pelo governo Dilma Rousseff consideradas irresponsáveis pelo PSDB.